Elle Kennedy, que faz parte da lista de autores mais vendidos do New York Times, traz sua marca registrada de drama, ansiedade e humor a este romance de volume único.
Quando Abbey Bly, de 19 anos, recebe a oportunidade de passar um ano estudando em Londres, é a chance perfeita para finalmente se libertar do controle excessivo do pai, um astro do rock aposentado, muito amado, mas extremamente dominador. Ela está pronta para curtir a liberdade, se encontrar e, antes de tudo, conhecer as garotas com quem vai dividir o novo apartamento maravilhoso. Isso até ela chegar e descobrir que, na verdade, são todos do sexo masculino. Há uma regra que proíbe o relacionamento amoroso entre colegas da casa, após um drama indesejado com uma garota anterior. Abbey nunca se considerou uma pessoa que não cumpre regras. Mas logo começa a mentir para o pai sobre a situação de moradia e se apaixona não por um, mas por dois garotos que ela não pode ter: seu colega da casa, jogador de rúgbi, e um músico introspectivo que já tem namorada. Além disso, sua pesquisa acadêmica a envolve em um escândalo não revelado de uma família da alta nobreza, cercando-a de segredos por todos os lados. Se existe alguma esperança de Abbey encontrar o amor, respostas ou um futuro em Londres, ela terá de decidir quais regras valem a pena quebrar ou quais corações partir…
Trecho:
Já é mais de meia-noite, horário local, quando pousamos em Londres; as luzes da pista aparecem borradas pela janela salpicada de chuva, enquanto uma voz nos alto-falantes nos orienta a adiantar os relógios.
Depois de um voo de quase dez horas, mal posso esperar para sair deste avião. Estou morrendo de vontade de fazer xixi e meus pés estão inchados. Uma espécie de urgência alucinante toma conta de mim enquanto permaneço no corredor, ansiosa e inquieta, com as malas na mão, pronta para desembarcar. A porta do avião se abre, e eu vou andando com pressa pela passarela em direção ao terminal e ao banheiro mais próximo.
Já passa da uma da manhã quando o motorista coloca minha última bagagem no porta-malas do sedã preto. Passo o endereço, e o motorista me garante que consegue encontrar Notting Hill sem problemas.
Meu corpo ainda acha que não são nem oito da noite quando encosto o rosto na janela do passageiro para observar as luzes de Londres passando rápido.
Não sou nem de longe uma pessoa que viaja muito, graças a um pai superprotetor que vê risco de assassinato em cada esquina, por isso ainda fico impressionada quando os lugares parecem exatamente como nos filmes. A arquitetura, os pontos turísticos. Aquelas cabines telefônicas vermelhas. É quase surreal. Absorvo imagem da cidade, olhando para a frente a cada poucos segundos, prendendo a respiração, sobressaltada, diante do tráfego que vem em minha direção; apenas para lembrar que estamos do lado contrário da rua. O motorista solta uma risadinha para mim pelo espelho retrovisor.
É justo. É justo.
Decido extravasar tudo no trajeto para minha nova casa, assumindo o estereótipo de caipira americana de olhos arregalados ao observar, sem qualquer cerimônia, os ônibus de dois andares e faço perguntas bobas ao motorista, só para ouvir o sotaque dele. Sem o trânsito do horário de pico, no entanto, o percurso termina rápido demais em uma rua residencial pitoresca, com casas geminadas de tijolos e tons pastel.
Aproximamo-nos lentamente de um sobrado eduardiano de dois andares, com fachada de estuque na cor casca de ovo. Ambos os apartamentos têm varanda com pilares, e portões de ferro na altura da cintura cercam pequenos jardins de vasos antes dos degraus até a entrada coberta. Uma pontada de nervosismo começa nos meus pés quando leio o número 42 na porta da frente da casa à esquerda.
A luz da varanda está acesa, esperando por mim.
“É melhor eu ir checar se tem alguém acordado”, digo ao motorista, porém mais a mim mesmo, forçando minha mão a agarrar a maçaneta.
Há uma luz atrás das cortinas brancas das janelas da frente. Prova suficiente de que a minha chegada é esperada, embora agora eu me pergunte se não deveria ter escolhido um voo noturno para chegar em um horário razoável. Manter a casa toda acordada talvez não cause uma ótima primeira impressão.
Lá vai.
Prendo a respiração ao bater na porta. Já pensei diversas vezes como isso pode acabar sendo horrível. Podemos nos detestar de imediato. Pelo que entendi, minhas colegas de apartamento são todas um ou dois anos mais velhas do que eu. E se a paciência delas com a americana que não faz ideia de nada se esgotar em mais ou menos uma semana?
Volto a ficar agitada bem no momento em que percebo um vulto se movendo lá dentro. As cortinas balançam antes que a porta se abra rangendo.
Para minha grande surpresa, um homem negro e esguio, vestindo uma regata folgada e pantalona de seda, está parado na soleira.
“Eu sabia que você era ruiva.” Ele sorri para mim, de forma amigável.
“A Lee está em casa?”
“Eventualmente. Mas já bebi dois terços de uma garrafa de Merlot, então não prometo nada.”
Isso foi uma resposta? Ainda estou perplexa.
“Eu sou a Abbey.” Mordo o lábio. “Estou me mudando para cá.”
“É claro que sim, querida.” Ele olha por cima da minha cabeça e faz um sinal para o motorista.
“Desculpe por manter todo mundo acordado. Eu deveria ter levado em conta a diferença de fuso horário ao reservar meu voo.”
“Não todo mundo. Você vai conhecer os outros rapazes amanhã. Eles saíram hoje à noite.”
Pisco, com cara de tonta. “Rapazes?”
“Jack e Jamie.” Empurrando a porta para abri-la para mim, ele me puxa para dentro. “É melhor não ficar esperando acordada. Você vai ouvi-los chegar aos tropeços lá pelas quatro. Tente não tirar conclusões precipitadas antes que eles comam um prensado pela manhã.”
Ele deixa a porta entreaberta para o motorista, que está tirando minhas bagagens do porta-malas e empilhando na calçada.
Aos poucos, minha surpresa vai dando lugar a uma clareza inquietante. “Você é o Lee?”
“Desde de bebê”. Ele tira a mochila do meu ombro e coloca no dele, fazendo pose de modelo.
“Eu sei. Sou mais incrível pessoalmente.”
O interior do apartamento é iluminado e arejado. Um alívio, devido ao clima tristonho. Há um pequeno saguão na base de uma escada e, mais adiante, um corredor estreito. É uma mistura de móveis modernos que não combinam entre si, mas parecem caros — como se as páginas de uma revista de decoração tivessem sido embaralhadas e reunidas em uma única casa.
“Mas, Lee é uma garota”, digo enfaticamente.
Ele arqueia a sobrancelha. “Não deixe que essas maçãs do rosto impecáveis enganem você.”
“Não, quer dizer… era para eu dividir o apartamento com outras garotas. Esta é a casa errada?”
“Não se você for a Abbey Bly.” Ele me observa com desconfiança. Como se eu fosse uma mulher histérica brigando com um carrinho de compras no corredor dos cereais. “Eu sou Lee Clarke. Bem-vinda a Londres.”
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