A Noite em que nos conhecemos – Abby Jimenez

Na vida de todas as pessoas, há uma decisão de uma fração de segundo que pode mudar tudo…

Para Larissa, aconteceu na hora de escolher com qual cara pegar uma carona para casa depois de um show. Naquela noite, ela não fazia ideia de que tinha conhecido o homem perfeito. Ela e Chris
formam uma ótima dupla: dividem a criação de um Yorkie resgatado, um tanto desequilibrado, compartilham seus livros favoritos e fazem avaliação de pães (pão de centeio foi o vencedor!). Pela primeira vez, depois de todos os bicos que ela faz para conseguir sobreviver, as coisas finalmente parecem fáceis.

Mas não foi Chris quem levou Larissa para casa meses atrás. Chris é o melhor amigo do namorado dela. Chris só quer que Larissa seja feliz. Ficar acompanhando tudo de longe está sendo bem difícil
para ele, mas tomar uma atitude destruiria outra pessoa. Como algo que parece
tão certo pode ser totalmente impossível?

Com sua incrível perspicácia para compreender o coração das pessoas, Abby Jimenez entrega um romance inesquecível, incluindo amizade, risadas e as escolhas complicadas que a vida pode nos reservar.

 

Meu celular tocou às 5:15 da manhã.
Uma ligação do Mike.

Eu estava só meio acordado quando apertei o botão para atender. “Alô.”

“Mano, preciso de um favor.”

Eu gemi. “Que favor?”

“Preciso que você leve a Larissa e a mãe dela para o hospital.”

Apertei os olhos com força no escuro.

Meu melhor amigo tem muitas qualidades. É leal até demais. Ele tiraria a camisa do corpo para te dar. É engraçado, generoso e protege as pessoas que gosta. Mas ele também é o mais propenso a ligar para você em alguma hora imprópria com um pedido que começa com: “preciso de um favor”.

“Eu disse a ela que levava”, ele explica. “O carro dela está no mecânico e o carro da mãe dela tem câmbio manual, que a Larissa não sabe dirigir. A mãe dela vai fazer uma cirurgia hoje.”

Virei de costas. “E por que você não pode ir?”

“Eu estraguei tudo, cara. Bebi muito ontem à noite. Estou com uma baita ressaca. Acho que ainda estou bêbado.”

“Mike, é meu dia de folga. Estou cansado.”

“Eu sei. Olhe, não tem mais ninguém para levá-las. O Jesse levou a Becca para Waken para comemorar o aniversário de casamento deles. O Xavier está aqui na cidade, mas ele não está atendendo. Eu pedi até para a minha mãe.”

“Eu nem conheço a Larissa”, falei, apertando a ponte do meu nariz. “Só a vi uma vez.”

“Poxa, cara. Ela nunca vai conseguir uma carona assim tão cedo.”

“A mãe dela não pode ir dirigindo? Elas podem pedir um carro por aplicativo para voltar.”

“E deixar o carro no estacionamento? E, aí, ela vai ficar lá sozinha enquanto a mãe estiver em cirurgia. Não me faça implorar para você. Eu preciso mesmo. Por favor.”

Fiquei olhando para o teto no escuro. Merda. Chutei o cobertor para longe. “Por que você bebeu tanto se sabia que tinha que fazer isso logo cedo?”, acendi o abajur na minha mesa de cabeceira e fiz uma careta por causa da luz.

“Eu vacilei. Olhe, eu fico te devendo essa. Lavo seu carro, cara. Faço qualquer coisa. Levou seis semanas para fazer essa garota ir tomar café comigo. Ela pode até não falar mais comigo depois disso se eu deixá-la na mão. Eu gosto tanto dela. Não posso estragar tudo.”

Vesti um moletom com capuz. “Você tem uma dívida enorme comigo. Estou falando sério.”

Ele soltou um suspiro de alívio. “Ei, não conte pra ela que eu estou de ressaca, está bem? Vou dizer que estou com enxaqueca.”

“Tá bom. Só me mande o endereço.”
Desliguei.

Fiquei parado um instante no meio do quarto, irritado demais para me mover.

Esse cara tinha que me irritar em um dia legal. Faz tempo que eu não tenho um dia legal. Eu só queria dormir e ficar em paz. Principalmente a segunda coisa.

Os caras insistem em me arrastar pra fora de casa o máximo possível. Eu até agradeço, porque eles estão tentando ajudar. Mas essa situação é a cara do Mike. E com quem ele estava bebendo ontem? Só Deus sabe se os caras foram a algum lugar ontem à noite. Eu teria sido sequestrado e jogado no porta-malas.

Eu me arrastei até o banheiro para jogar uma água no rosto.

Vinte minutos depois, eu parei em frente a um pequeno prédio em um bairro não muito bom. Apartamentos Windsor Castle.

Esse lugar era a coisa mais distante de um castelo que eu já vi. As unidades tinham grades nas janelas. A calçada estava rachada e estufada, e havia um colchão manchado no meio-fio, em frente,
ao lado de uma TV quebrada com aquelas antenas que parecem orelhas de coelho. Estacionei e me preparei psicologicamente para interação humana antes de sair do carro. O sol mal tinha nascido. Maldito Mike.

Fiz o  melhor para não deixar meu humor transparecer no rosto e bati na porta 104. Após um instante, Larissa atendeu. Ela estava usando um moletom cinza com capuz, sem maquiagem. Seu cabelo loiro estava preso num rabo de cavalo e seus olhos azuis estavam vermelhos.

Ela é garçonete no Donna, o café da mãe do Mike. Já a vi lá algumas vezes, mas ela nunca me serviu. Na verdade, só a encontrei uma vez, há dois meses, por cinco minutos. Foi após um show que fui forçado a ir. Ela estava descalça e precisava de uma carona para casa. Estava entre eu e o Mike.

Ela escolheu o Mike.

Fiquei novamente impressionado com a beleza dela, que também já tinha chamado a minha atenção naquela noite do show. Minha atenção e do Mike. 

Ela me olhou. “Cadê o Mike?”

Andréa Acquaviva

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